CRÉDITO & SEGUROS: Crédito habitação mais caro - renegociar o contrato é boa opção?
O crédito habitação em Portugal está na ordem do dia, desde logo pelo facto do Banco de Portugal (BdP) ter anunciado que vai propor a diminuição da taxa de esforço de 50% para 45% no conjunto de empréstimos bancários. Paralelamente, muitos analistas antecipam um aumento das taxas de juro directoras por parte do Banco Central Europeu (BCE) na reunião de dia 11 de Junho, o que, a acontecer, fará aumentar as taxas Euribor e, por sua vez, a prestação a pagar ao banco pelo empréstimo da casa. Será, então, que renegociar o crédito habitação neste momento é boa opção? Explicamos tudo sobre este tema no artigo desta semana.
Caso prático:
Temos cada vez mais notícias que apontam para subidas das taxas de juro do crédito habitação. Fiz um crédito há cinco anos com regime de taxa de juro mista. Durantes os dois primeiros anos, a taxa foi fixa, mas agora já e variável, deixando-me, portanto, preocupada. E se vem aí uma subida significativa nas taxas Euribor? Não conseguirei pagar a prestação! O que recomendam?
Resposta:
É verdade que estamos a enfrentar novamente o problema da revisão das taxas de Euribor com reflexo nas taxas de juro variável. E esse impacto pode já acontecer em Junho, dependendo do indexante.
Assim, este pode ser o momento adequado para renegociar o crédito habitação com o seu banco, nomeadamente no que respeita ao regime das taxas de juro. Comecemos por aqui:
A taxa de juro poderá ser fixa, variável ou mista, resultando da soma de duas componentes: o indexante ou taxa de referência, vulgarmente a Euribor, e o spread (margem lucro do banco). A Euribor pode ter vários prazos, sendo os mais frequentes seis meses ou 12 meses. Se a Euribor subir ou descer, a prestação do empréstimo com taxa fixa não se altera, mas com variável o juro do empréstimo vai oscilando.
Muitos empréstimos são negociados a taxa mista, ou seja, durante um período têm taxa fixa (por exemplo cinco anos) e no restante do contrato variável, como é seu caso. Mas pode sempre renegociar esta modalidade.
Antecipamos “um ligeiro aumento” do crédito habitação com taxa variável, numa altura em que o BdP revela que as prestações já ultrapassam 40% do rendimento mediano. A associação acredita que o impacto destas oscilações na prestação do crédito habitação podem ser sentidas já em Junho, sobretudo para quem tem taxa variável, como é o seu caso.
Como deve agir, desde já?
- Contacte o seu banco e analise, em conjunto com a instituição, a sua taxa de esforço, que não deverá ultrapassar 35% ou 40% do rendimento;
- Informe-se, pondere e, se assim decidir, solicite o apoio do banco para manter a sua taxa de juro no regime fixo;
- Prepare um fundo de emergência que deverá corresponder a seis vezes ao valor necessário para pagar as suas despesas. Prevenir é a melhor solução.
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