CRÉDITO & SEGUROS: Taxa de esforço no crédito habitação desce para 45%...



Banco de Portugal endurece crédito habitação

A taxa de esforço no crédito habitação deverá recuar de 50% para 45%, segundo a nova orientação do Banco de Portugal (BdP), que já começou a comunicar a medida aos bancos. Esta alteração no crédito habitação pretende reforçar os critérios de concessão e evitar o aumento do endividamento das famílias.

A taxa de esforço no crédito habitação, que mede o peso das prestações no rendimento líquido, será assim mais exigente. Com esta mudança no crédito habitação, uma família com rendimento de 2.000 euros passa a ter um limite de encargos de 900 euros, em vez dos 1.000 euros anteriores. O BdP mantém, ainda assim, excepções que permitem aos bancos ultrapassar a taxa de esforço no crédito habitação em situações justificadas, podendo chegar até aos 60% mediante aprovação do supervisor.

Impacto no acesso ao crédito habitação

A redução da taxa de esforço no crédito habitação deverá ter impacto na aprovação de novos financiamentos, embora mais limitado do que uma descida mais acentuada de dez pontos percentuais. O objectivo da medida no crédito habitação é reforçar a prudência sem restringir excessivamente o acesso. Segundo dados recentes, a maioria dos novos contratos de crédito habitação já se situa abaixo dos 50% de taxa de esforço. Ainda assim, a revisão da taxa de esforço no crédito habitação poderá excluir parte dos candidatos, sobretudo jovens e famílias fora dos grandes centros urbanos.

Fontes do sector estimam que entre 10% e 15% do crédito habitação actualmente concedido poderá deixar de ser aprovado com os novos critérios, num contexto em que a oferta de habitação continua limitada e os preços elevados.

Banca considera medida adequada

A banca considera a revisão da taxa de esforço no crédito habitação como uma medida adequada, apesar do impacto esperado no acesso ao financiamento. Os principais bancos indicam que irão seguir as orientações do Banco de Portugal no crédito habitação sem contestação.

O sector reconhece que o crédito habitação continua com níveis baixos de incumprimento, mas admite que a nova taxa de esforço no crédito habitação poderá reduzir o número de famílias elegíveis para financiamento. Ainda assim, sublinha-se que a medida visa garantir maior estabilidade no mercado de crédito habitação.

Num contexto de inflação, subida das Euribor e incerteza económica, o endurecimento da taxa de esforço no crédito habitação surge como forma de prevenir riscos futuros no sistema financeiro e no endividamento das famílias.

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