CRÉDITO & SEGUROS: A sua prestação da casa vai voltar a subir?



A taxa de juro implícita dos contratos de crédito à habitação subiu em março de 2026 para 3,088%, interrompendo um ciclo de descidas que se prolongava há mais de dois anos, desde Janeiro de 2024, segundo dados divulgados esta Terça-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

Face a Fevereiro (3,079%), a subida é ligeira – 0,9 pontos base -, mas marca um ponto simbólico no comportamento do crédito à habitação. Depois de 25 meses de sucessivas descidas, o indicador volta a subir, ainda que de forma residual.

Nos contratos celebrados nos últimos três meses, a tendência é inversa: a taxa recuou para 2,830%, menos 4,1 pontos base face ao mês anterior.

O que muda para quem já tem crédito habitação?

Por agora, muda pouco para quem tem crédito habitação, mas pode começar a notar-se na margem.

A prestação média subiu em Março para 402 euros, mais 5 euros do que no mês anterior e quatro euros acima de março de 2025. Não é uma quebra de orçamento por si só, mas é mais elemento a pesar.

E há outro dado que importa no dia a dia de quem paga casa: 48,8% da prestação (196 euros da prestação média) são juros e apenas 51,2% (206 euros) corresponde a amortização de capital. Ou seja, quase metade do que paga todos os meses não contribui para reduzir a dívida.

E para quem vai comprar casa?

Para quem está a pensar comprar casa, o cenário é diferente.

Nos contratos mais recentes (últimos três meses), a prestação média subiu para 700 euros, mais 5 euros face ao mês anterior e com um aumento expressivo de 15,9% em termos homólogos. Aqui o impacto é mais directo: entrar no crédito à habitação continua caro, mesmo num contexto de taxas que já estiveram a recuar.

Capital em dívida também sobe

Em Março, o capital médio em dívida para a totalidade dos contratos subiu 584 euros face a Fevereiro, atingindo os 77.078 euros. Para os contratos celebrados nos últimos três meses, o montante médio em dívida foi 175.838 euros, mais 3.976 euros do que no mês anterior.

O crescimento do capital em dívida pode reflectir não só novos empréstimos mais elevados, mas também o efeito combinado de preços de habitação ainda pressionados e maior necessidade de financiamento.

A taxa de juro implícita nos contratos de crédito à habitação reflecte a relação entre os juros totais vencidos num determinado mês e o capital em dívida no início desse período antes de amortização. Com esta divulgação, o INE visa fornecer indicadores do esforço financeiro assumido pelas famílias e pelo Estado no crédito à habitação.

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